Ética

Crises de reputação, valores e modelos

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“A justiça nada mais é do que a harmonia que se estabelece entre as três virtudes: temperança, fortaleza e sabedoria, Quando cada cidadão e cada classe social desempenham as funções que lhes são próprias da melhor forma e fazem aquilo que por natureza e por lei são convocados a fazer, então se realiza a justiça perfeita.”

Platão

As recentes e frequentes crises de reputação nas áreas corporativa e política acabaram por abalar valores e modelos do mundo profissional

A época tem sido de encontros de relacionamento, uma das maneiras mais agradáveis que conheço de fazer prospecção, trazendo ainda o benefício de desfrutar de companhias inteligentes.

Recentemente em um café da manhã, o assunto inicial, como eu já deveria ter imaginado, não poderia ser outro a não ser a Crise (essa, com maiúscula, a econômica) que atravessamos. Minha amiga, profissional experiente em comunicação corporativa, expressou o quão desagradável – porque desanimador – era ouvir, diariamente, pessoas que se queixavam da impossibilidade de realizar negócios, análise proveniente de um filtro diário, em parte, embaçado. A argumentação que oferecia – longe de poder ser classificada como otimismo inconsequente, era que ainda há muito a fazer, mas obviamente, a fim de sobrevivermos, inclusive, teremos que mudar a direção de nossos olhares e sacudir convicções.

Até esse momento, nossa conversa estava bastante trivial, convenhamos. Foi então que ela mencionou o quanto estava estupefata com o medo que aterroriza as pessoas hoje. Diante de meu espanto – medo? – ela explicou seu ponto de vista.

As recentes crises corporativas e políticas trouxeram um componente relativamente novo – a punição – que pode ser considerada justa ou não. O fato é que as pessoas – e muitos dos executivos – estão absolutamente convencidos da possibilidade de serem acusados por algum comportamento inapropriado que não saberiam nem identificar. O discernimento morreu.

Por isso, não se trata de um medo qualquer – trata-se do medo que provém da ignorância da forma correta e legal de proceder em um país acostumado ao “jeitinho” e, principalmente à impunidade entre os colarinhos brancos.

O medo, anteriormente administrado pela procura em espelhar-se em profissionais mais graduados ou de claro sucesso, tomou o lugar do modelo.

Vivemos, isso sim, uma crise de modelos e essa questão é delicada, uma vez que traz intrinsecamente, questionamentos éticos e morais. Não se trata mais simplesmente de sobreviver à crise econômica mas, uma vez derrubados os atuais modelos, como agiremos para recriar nossa forma de estar em sociedade, fazer negócios e perpetuar-nos.

Quem diria que uma crise corporativa e política chegaria a tanto? Modelos quebrados. Sem poupar nem a fonte do jeito de ser mais brasileiro: o futebol.

 

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